quinta-feira, 15 de abril de 2010

Discurso da Embaixadora Israelense Gabriela Shalev no Conselho de Segurança da ONU


Sr. Presidente,

Deixe-me agradecer-lhe a sua gestão deste Conselho. E obrigada, Sr. Pascoe, por sua breve introdução. No início, gostaria de expressar os mais profundos sentimentos do povo e do Governo de Israel sobre a recente tragédia em que o Presidente polonês e os membros de sua comitiva perderam suas vidas em um acidente de avião. Que o povo da Polônia não conheça mais o luto.

Sr. Presidente,

Este debate ocorre entre dois dias importantes em Israel. Na segunda-feira, Yom Ha'Shoah, comemoramos as vítimas do povo judeu do Holocausto. E na próxima segunda-feira, o Yom Ha'zikaron, vamos comemorar os nossos soldados que caíram nas guerras, e todos os israelenses assassinados por terroristas. Somente após estes dois dias de lembrança é que podemos colocar os nossos corações para comemorar o nosso dia da independência.

Estes dois dias de comemoração lançam a luz sobre a luta interminável do nosso povo para construir uma pátria para o povo judeu, livre, independente e democrático. São dias solenes e sinalizão o nosso desejo de viver em paz, prosperidade e cooperação com nossos vizinhos.

No entanto, na busca da paz no Oriente Médio, todos os lados devem perceber que eles não têm apenas direitos, mas também deveres.

Os palestinos e o resto do mundo árabe deve mostrar, em palavras e atos, que eles também estão comprometidos com o processo de paz. Eles devem demonstrar sua vontade não só para exigir direitos, mas também a aceitar responsabilidades. Eles devem tomar medidas concretas para combater o terrorismo, para pôr fim a incitação, a iniciar negociações diretas e começar um processo de normalização com Israel.

Sr. Presidente,

Israel espera que as negociações de proximidade irão servir como um trampolim para a retomada das negociações diretas a paz bilateral. Somente através de tais negociações é que podemos esperar chegar a um acordo de paz abrangente. No entanto, o sucesso de tais conversações - e sua transição para negociações diretas – dependem de todos da região para tomar medidas de confiança.

Sr. Presidente,

Os governantes terrorista do Hamas mantém Gaza como um epicentro do terrorismo. Com apoio financeiro e armas do Irã, o Hamas brutaliza o seu próprio povo enquanto realiza o lançamento de ataques mortais contra civis israelenses.

Em 1 de Abril de 2010, através da fronteira egípcia de Gaza, no Sinai, uma enorme quantidade de armas destinadas à Faixa de Gaza foi descoberta. Ao longo de fevereiro e março, uma onda de foguetes Qassam e outros ataques terroristas expuseram a população civil do sul de Israel a ameaça grave e iminente perigo.

Como resultado desses ataques, um trabalhador agrícola em Israel foi morto, enquanto dezenas de civis ficaram feridos. Somente ontem, o exército de defesa de Israel descobriu terroristas instalando explosivos ao longo da fronteira Israel-Gaza.

Perante esta realidade, Israel exerce seu direito de auto-defesa, nos termos do direito internacional. Israel nunca vai deixar de cumprir sua obrigação de proteger o seu povo.

Israel aprecia os esforços da comunidade internacional para apoiar o trabalho humanitário em Gaza. Mantemos uma estreita coordenação com o Secretário-Geral e os órgãos competentes das Nações Unidas para o fornecimento de ajuda humanitária para Gaza.

Só em 2009, 738.576 toneladas de bens humanitários foram transferidos para a Faixa de Gaza e mais de 100.000.000 de litros de diesel foram entregues à central eléctrica de Gaza. 10.544 doentes de Gaza e seus acompanhantes receberam tratamento médico em Israel.

Esses números refletem apenas uma parte da ajuda humanitária prestada ao povo de Gaza. Porém, Israel continua a ser um bode expiatório conveniente para a situação em Gaza.

No entanto, a verdade é evidente:

A complicada situação em Gaza é um resultado direto da ocupação terrorista Hamas.

A complicada situação em Gaza é um resultado direto da contínua recusa do Hamas das obrigações estabelecidas pela comunidade internacional, a saber: reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar acordos anteriores.

A complicada situação em Gaza é também o resultado do cativeiro em curso de Gilad Shalit pelo Hamas, onde é negado os seus direitos humanos, incluindo o acesso a ajuda de pessoal humanitário internacional.

Sr. Presidente,

Além de Gaza, a Cisjordânia oferece um futuro alternativo. Como resultado direto do conflito israelo-palestiniano, a vida econômica e cooperação para a segurança de palestinos e israelenses continua a melhorar.

No entanto, os obstáculos permanecem. A violência e o terrorismo são os desafios sempre presentes. Israel está profundamente consternado ao ver uma rua em Ramallah nomeada em honra do Yehiye Ayash, um terrorista do Hamas responsável pelo assassinato de centenas de civis israelenses inocentes - homens, mulheres e crianças.

Em outro evento preocupante, uma praça ao lado de Ramallah foi renomeada em homenagem a Dalal Mughrabi, líder de um dos mais sangrentos ataques terroristas contra Israel, o Massacre da estrada costeira, no qual 38 civis israelenses e norte-americanos foram assassinados.

Dado que o mapa para paz explicitamente afirma que "todas incitação por parte das instituições oficiais palestinas contra Israel devem acabar", que mensagem é que a Autoridade Palestiniana envia publicamente ao honrar os terroristas?

Sr. Presidente,

Neste ponto, gostaria de responder em breve às preocupações que foram expressas sobre as medidas recentes relacionadas com a prevenção de infiltração ilegal de pessoas na Cisjordânia.

Essas preocupações refletem um equívoco do sentido e finalidade dessas medidas. Por uma questão de fato, essas medidas prevêem salvaguardas importantes e da garantias do processo devido à legislação em vigor. Eles não vão muito além disso.

Deixe-me ser muito clara: estas medidas só se aplicam aos infiltrados ilegais na Cisjordânia e não se aplicam a outros residentes da área.

Sr. Presidente,

Deixe-me voltar para o maior perigo para o Oriente Médio e o mundo: Irã.

Irã continua a ameaçar a varrer Israel do mapa mundial a negar o Holocausto e reacender o anti-semitismo. Ao mesmo tempo, o Irã apoia o terrorismo e a violência contra Israel e judeus, além da Faixa de Gaza.

No Líbano, a organização terrorista Hezbollah continua a acumular armas da Síria e de seus patronos iranianos, com o consentimento e o apoio ativo das autoridades sírias. Recentemente, a Síria forneceu ao Hezbollah mísseis de longo alcance, em uma franca violação da resolução 1701. Ao fazê-lo, a Síria ativamente ameaça a frágil estabilidade no Oriente Médio.

No entanto, o perigo mais alarmante é a contínua corrida do Irã pela capacidade de armas nucleares, enquanto zomba das iniciativas diplomáticas da comunidade internacional. Tal comportamento põe em risco não só a nossa região, nem apenas um grupo específico de países. Ele põe em perigo a todos nós, e isto é reconhecido por todos. Portanto, este Conselho tem a obrigação de traduzir esse consenso em ação oportuna e eficaz.


Sr. Presidente,

A ameaça nuclear iraniana, a ameaça do terrorismo, a transferência de armas para grupos terroristas, o incitamento ao ódio ensinado às crianças árabes são os verdadeiros perigos que a situação no Oriente Médio e a Questão da Palestina enfrentam.
Todos na região têm o direito de viver sem ameaças, e todos da região têm a responsabilidade de enfrentar esses perigos. Se todos em nossa região reconhecerem a relação entre direitos e responsabilidades, nós estaremos no alvorecer de uma nova era de paz no Oriente Médio.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Hagshamá no Projeto Kiruv

O Projeto Kiruv de Copacabana recebeu Sergio Rosenboim da Hagshamá Brasil para conversar com os jovens sobre Manipulação de imagens e o uso contra Israel. O Projeto Kiruv sempre busca um convidado especial mensal para levar aos jovens uma informação variada com assuntos pertinentes a vida judaica. O tema deste encontro foi abordado de forma dinâmica, através de apresentação de filmes e fotos, fazendo da atividade um sucesso.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Milionário, prefeito de Jerusalém recebe salário simbólico de US$ 1 por ano

Por Marcelo Nínio - Jerusalém
Nir Barkat está ajustando o cronômetro do relógio de pulso quando a reportagem da Folha chega a seu gabinete, decorado com fotos antigas de Jerusalém, para entrevistá-lo.
"Preciso estar pronto para o próximo treino", diz o maratonista de 50 anos, que costuma ir correndo para o trabalho todos os dias, dispensando o carro oficial para cruzar os cerca de 10 km que separam sua casa da sede da Prefeitura.
Empresário bem-sucedido do setor da informática, que fez fortuna nos anos 90 desenvolvendo pioneiros programas antivírus, Barkat também abre mão de vencimentos como prefeito. Ou quase: oficialmente seu salário resume-se à quantia simbólica de U$ 1 por ano.
Mas não foi sua vitoriosa carreira nos negócios nem o espírito atlético o que chamaram a atenção quando Barkat venceu a eleição para a Prefeitura de Jerusalém, em novembro de 2008. O destaque foi o fato de ele ser um judeu secular, numa cidade cada vez mais habitada pelos ultraortodoxos.
A eleição de Barkat foi considerada um sopro de esperança para os seculares que, como ele, desejavam conter o desequilíbrio demográfico dos últimos anos em favor dos religiosos. No primeiro ano, através de programas de incentivos a jovens e estudantes, Barkat afirma que a chamada "fuga" de seculares já começou a cair.
Se no estilo de administração Barkat trouxe a modernidade para Jerusalém, no campo político ele se atém ao que há de mais conservador. Jerusalém Oriental, ocupada por Israel em 1967 e onde os palestinos esperam instalar sua capital, para Barkat é parte inseparável de Israel.
Há algumas semanas, no auge da crise entre Israel e os Estados Unidos provocada pela construção em Jerusalém Oriental, o direitista premiê Binyamin Netanyahu teve que pedir a Barkat que congelasse o projeto de um parque perto da cidade velha que prevê a demolição de casas de árabes.
Embora a política seja definida pelo governo de Netanyahu, o prefeito ocupa uma posição de extrema sensibilidade no meio da explosiva disputa por Jerusalém.
Uma de suas responsabilidades é justamente aprovar novas construções em qualquer parte de Jerusalém. E ele não parece disposto a parar os guindastes.
- Entrevista
O prefeito de Jerusalém ignora as críticas internacionais e garante que a cidade permanecerá "unificada" e sob soberania israelense.
Barkat afirma que as construções em Jerusalém Oriental vão continuar, apesar das fortes críticas recentes dos EUA, que abalaram as relações entre os dois aliados tradicionais.
Barkat rejeita o consenso internacional de que só a divisão de Jerusalém, com a instalação da capital de um futuro Estado palestino no setor oriental, possibilitará um acordo de paz. Em entrevista à Folha, em seu gabinete, ele explicou por quê.
FOLHA - A prefeitura confirmou um plano de construir 50 mil habitações em Jerusalém Oriental nos próximos 20 anos. Qual sua visão do que a cidade será em duas décadas?
NIR BARKAT - Jerusalém não é uma cidade só de seus residentes. Além de coração do povo judeu, ela é importante para mais de 3 bilhões de pessoas de diferentes fés. A vocação histórica da cidade é permanecer aberta. Minha visão é passar a receber 10 milhões de turistas por ano, cinco vezes mais do que hoje. O plano da cidade prevê que a população crescerá dos atuais 800 mil para 1 milhão em 20 anos, mantendo a proporção atual, um terço árabes e dois terços judeus.
FOLHA - Dessas novas moradias, quantas serão na parte oriental?
BARKAT - Não nos baseamos em Oriente ou Ocidente, mas na relação de 1/3 para árabes e 2/3 para judeus. No Estado de Israel, por lei, não se pode determinar a um árabe ou judeu onde ele deve viver.
FOLHA - É difícil ignorar que havia uma fronteira em 1967 e que boa parte dessa construção será na parte ocupada por Israel desde então.
BARKAT - Jerusalém tem muitas linhas. Tem a linha de 1967, de 1948, do mandato britânico, dos turcos, dos cruzados. Desde que foi destruída, há 2.000 anos, Jerusalém passou por mais de dez mãos.
FOLHA - Existe um consenso internacional em torno da fronteira de 1967, de que ela deve ser a base para um acordo com os palestinos.
BARKAT - Não há consenso. Consenso é quando as duas partes envolvidas concordam. Se o mundo, que é uma terceira parte, tem essa ou outra opinião, não quer dizer que temos que aceitar. Nos 42 anos em que Jerusalém está unificada sob administração israelense, ela jamais foi tão aberta e livre. Não havia liberdade para cristãos e judeus quando a cidade estava nas mãos árabes. A divisão é o maior erro que pode ser cometido. Jerusalém deve continuar aberta e unificada.
FOLHA - Os palestinos consideram as linhas de 1967 muito concretas e não aceitam um acordo sem ter Jerusalém Oriental como sua capital.
BARKAT - Quem impõe essa exigência impede o diálogo. É uma precondição que não tem chance de ser aceita.
FOLHA - Mesmo se esse fosse o preço da paz?
BARKAT - A pergunta não é justa. O preço da paz não pode ser esse. A paz deve vir do reconhecimento, da coexistência, da aceitação em fazer concessões. Provamos que ninguém é mais capaz que o Estado de Israel de manter a abertura e a liberdade de culto em Jerusalém. Qualquer mudança seria temerária. Veja o que ocorre em Gaza, com o domínio do Hamas. Quem garante que um acordo de paz seria respeitado?
FOLHA - Nem os EUA, principal aliado do seu país, concordam com a anexação de Jerusalém Oriental.
BARKAT - Há divergências até entre parceiros estratégicos. Mas nossos amigos no mundo precisam considerar que talvez estejam errados. Minha recomendação ao premiê é ser muito duro em relação a Jerusalém e flexível em outros assuntos.
FOLHA - As construções em Jerusalém Oriental continuarão?
BARKAT - Claro que sim. Quando o mundo fala em suspender a construção em Jerusalém Oriental, ele fala de judeus e árabes? Ou congelar só para judeus? Isso não seria legal em nenhum lugar do mundo, nem no Brasil ou nos EUA.
FOLHA - E a lei internacional? Ela proíbe construir em áreas ocupadas.
BARKAT - Tanto árabes como judeus constróem lá. Além disso, ocupado de quem? Jamais houve um Estado palestino. Por outro lado, houve mil anos de história judia em Jerusalém.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tel Aviv a Ramallah – Fayyad pode ser o "Ben Gurion" palestino?

De Tel Aviv a Ramallah – Fayyad pode ser o "Ben Gurion" palestino?

por Gustavo Chacra

06.abril.2010 18:48:13

http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/de-tel-aviv-a-ramallah-fayyad-pode-ser-o-ben-gurion-palestino/


Certa vez, o professor de História do Oriente Médio da Universidade Columbia, Rashid Khalidi, afirmou em uma aula que os palestinos não tiveram um Ben Gurion, como os israelenses. Um líder que construísse as instituições necessárias e tomasse as decisões corretas para alcançar o sonho de criar um Estado para o seu povo. Um homem que soubesse ler e entender os interesses das grandes potências e usá-los a seu favor.

Em vez disso, palestinos tiveram o controverso Mufti, que tomava uma decisão equivocada atrás da outra. Yasser Arafat teve seu papel ao divulgar a causa palestina de ter um Estado para o povo árabe residente nas áreas ocupadas por Israel em 1967 e, de uma certa forma, conseguiu o reconhecimento internacional dos palestinos. Hoje, seria impensável que um premiê israelense copiasse a Golda Meir e perguntasse quem são esses palestinos – se é que ela realmente disse isso algum dia. O problema é que Arafat foi um dos piores estadistas que os palestinos poderiam ter. Aliás, se houvesse um campeonato no mundo árabe, ele ficaria em último. Pode até ter sido um bom guerrilheiro, mas era nota zero em administração pública. Seu governo era corrupto e não conseguiu erguer nenhuma instituição de respeito nos territórios palestinos. Para complicar, dizia uma coisa para os EUA e Israel e outra para os árabes. Terminou a sua vida cercado em sua Muqata, no meio da Segunda Intifada, e com o sonho palestino distante.

Mahmoud Abbas, seu sucessor, pode ser bem intencionado. Mas não tem força alguma. Além disso, tampouco dá para classificá-lo como um ás em governança. Porém os palestinos têm hoje um premiê capaz e preparado, admirado não apenas entre seu povo, mas também nos EUA e mesmo em Israel. Salam Fayyad entende a necessidade os palestinos terem instituições prontas antes de lutar pela independência. E é isto que ele tem feito. Hoje, a Cisjordânia se desenvolveu e está bem mais segura do que em 2004, quando morreu Arafat. Os cartazes dos mártires não existem mais. A calma prevaleceu na Guerra de Gaza. A polícia é bem preparada. As ruas organizadas. Ramallah possui até uma emergente vida noturna. Ele ainda apoia protestos pacificos, como plantar arvores em areas sob ocupacao israelense.

No ano que vem ou em 2012, provavelmente, Fayyad irá mais adiante. E tentará buscar o reconhecimento internacional do Estado palestino. Muitos países certamente concordarão, e inclua na lista nações escandinavas, Turquia, todo o mundo árabe e islâmico, entre outros. Barack Obama também simpatiza com Israel. Seus principais interlocutores para o Oriente Médio sabem que Israel não terá tão cedo alguém como Fayyad do outro lado para dialogar.

O problema é que a administração israelense ainda desconfia. E observa Gaza mais do que a Cisjordânia. “Do que adianta um líder bom na Cisjordânia se o Hamas ainda controla a outra parte do território, lançando foguetes contra Ashkelon e Sderot?”, questionam. Agora, cabe aos palestinos mostrar que seus sonhos estão mais em acordo com Fayyad do que com o de líderes como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, conforme escreveu recentemente Thomas Friedman no New York Times. Israel teme um mini-Irã (no sentido do atual regime, não do povo iraniano) nas suas fronteiras. Mas ficariam felizes de ter um Estado pacífico e democrático. Mais ou menos uma “Jordânia”, mas sem um rei absolutista como Abdullah. Enfim, será que Fayyad pode ser o Ben Gurion, o Mandela palestino? Até agora, ele mostrou que sabe tomar decisões acertadas e, acima de tudo, entende o que as grandes potências querem. Pela primeira vez na história, um presidente dos EUA simpatiza mais com um líder palestino do que com um israelense. Hoje, Fayyad é mais bem visto na Casa Branca do que Netanyahu

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009

domingo, 4 de abril de 2010

Colecionador de Amizades - Texto da Clara Ant

Colecionador de Amizades


“Colecionador de amizades” foi a maneira escolhida pelo Presidente de Israel, Shimon Peres, para se referir ao Presidente Lula num dos quatro encontros em que esses dois adeptos da paz tiveram em menos de 24 horas, em Israel, entre 14 e 15 março. Além de Peres, o Primeiro-Ministro Benyamin Netanyahu, a líder da oposição Tzipi Livni, o Presidente do Parlamento, Reuven Rivlin, e a quase totalidade dos parlamentares israelenses receberam com satisfação a visita do Chefe de Estado brasileiro.

Essa recepção calorosa deveu-se, em grande medida, ao reconhecimento dos esforços brasileiros para dar novo impulso ao relacionamento bilateral. Apesar de o Brasil ter presidido, em 1947, a sessão da Assembléia Geral da ONU que consagrou a criação do Estado de Israel, os dois países estiveram muito distantes durante grande parte d os 62 anos de existência de Israel. Nos últimos sete anos, no entanto, o Brasil quis potencializar as relações com esse país amigo, investindo numa intensa e renovada agenda diplomática. Pelo menos dez Ministros brasileiros e oito israelenses cruzaram o Mediterrâneo e o Atlântico para fortalecer os laços entre os dois países, firmando acordos nas áreas de educação, meio ambiente, turismo, cultura, saúde, agricultura, defesa e ciência e tecnologia, entre outros.

Entre 2003-08, o intercâmbio comercial mais que triplicou , saltando de US$ 506 milhões para US$ 1,6 bilhão, fazendo do Brasil o principal parceiro comercial de Israel na América Latina. O Acordo de Livre Comércio entre MERCOSUL e Israel — primeiro do bloco sul-americano com um país de fora das Américas — alargará ainda mais esses horizontes promi ssores de negócios e de investimentos. O expressivo número de representantes do setor privado brasileiro, capitaneados pelo Presidente da FIESP, Paulo Skaf, no seminário empresarial em Jerusalém, confirma essa expectativa.
Como primeiro Presidente brasileiro a visitar Israel, Lula não só coroou essa bem sucedida parceria, mas também lançou as bases para novos e auspiciosos entendimentos. Numa especial deferência à comunidade judaica do Brasil, várias atividades contaram com a participação do Presidente da Confederação Israelita do Brasil, Cláudio Lottenberg, e do Presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, Jack Terpins. A delegação também foi integrada pelo Governador da Bahia, Jaques Wagner, que depois seguiu para Palestina e Jordânia.
Além de uma relação construtiva entre Estados soberanos, interessa ao Brasil estreitar os vínculos entre nossas sociedades. Daí a programação ter incluído, além da agenda oficial, encontros com lideranças de organizações pacifistas e uma reunião com autoridades da Universidade Hebraica de Jerusalém, cujo Reitor virá em breve ao Brasil e declarou querer conhecer nessa ocasião as realizações do Plano de Desenvolvimento da Educação, o PDE.
Um dos pontos altos da viagem para toda a comitiva foi, sem dúvida, percorrer as instalações do novo Museu do Holocausto, de cujo acervo Lula guardava fortes recordações desde a visita que fizera a Israel em 1993. Tomado pelo sentimento de consternação, o Presidente brasileiro sugeriu que esse memorial às vítimas da irracionalidade humana deveria ser de conhecimento obrigatório para todos aqueles que queiram dirigir uma nação. No museu, depositou uma coroa de flores para todas as vítimas do extermínio nazista, repetindo o que fizera na entrada do Congresso em memória de todos os soldados israelenses mortos nos conflitos regionais.
Antes de se dirigir à Floresta das Nações para plantar uma oliveira, Lula ainda ouviu do Presidente do Conselho Deliberativo do Museu o pedido para que ajudasse a viabilizar um encontro entre ele, Rabino Israel Meir Lau, e o Presidente do Irã, Mahmud Ahmadinedjad, para que ambos – rabino e presidente do Irã - pudessem conversar sobre o extermínio ocorrido durante a II Guerra Mundial.

Em todos os eventos e encontros de que participamos, a busca dos caminhos para a paz na região foi um dos temas centrais, e o Presidente Lula reiterou a disposição do Brasil em ajudar no que for possí vel para que esse objetivo seja alcançado. Da mesma forma, defendeu enfaticamente a existência do Estado de Israel, soberano, seguro e pacífico convivendo, lado a lado, com um Estado Palestino, igualmente soberano, pacífico, seguro e viável.

É mais do que necessário que sejam dados passos resolutos e corajosos para superar décadas de conflito, ódio e dor. No Brasil, judeus e árabes (sejam muçulmanos ou cristãos) vivem em perfeita harmonia, ajudando a construir um país moderno, justo e desenvolvido. Essa convivência harmoniosa é fonte de inspiração para nossa política externa. É ela nossa maior credencial para cooperar na busca de alternativas para o processo de paz.
Esta é a mensagem de esperança e reconciliação que o Brasil tem levado aos povos do Oriente M&e acute;dio. Ela marcou a viagem a Israel, Palestina e Jordânia, e marcará os passos seguintes.

Com as históricas visitas de Peres aqui, em novembro de 2009, e de Lula alí, agora em março, ganham todos: Israel, o Brasil e a paz no Oriente Médio.

Clara Ant
Assessora especial do Presidente da República
clara.clara@ig.com.br

quinta-feira, 1 de abril de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Futuro de Israel

Folha On Line 22/03/2010

Cinco palavras: fronteiras, refugiados, Jerusalém, terrorismo e Irã. Falar do conflito palestino-israelense é falar dessas cinco palavras. Elas são, em resumo, os cinco obstáculos para qualquer paz duradoura entre árabes e judeus.

Quais serão as fronteiras dos dois estados? O que fazer com os "refugiados" palestinos (e com os filhos dos filhos dos refugiados palestinos das guerras de 1948 e 1967)? Como partilhar Jerusalém entre os dois povos, partindo do pressuposto de que Jerusalém é partilhável? Como desarmar os grupos terroristas que operam em Gaza ou no sul do Líbano? E como lidar com a ameaça iraniana, que procura a bomba e, naturalmente, treina e arma o Hamas e o Hezbollah?

Cada um desses cinco obstáculos chega e sobra para enlouquecer qualquer diplomata.

Primeiro: a comunidade internacional exige que Israel recue para as fronteiras de 1967 (grosso modo); mas há quem exija que o recuo seja maior (para as fronteiras de 1949); para não falar dos extremistas que exigem um recuo total: para o Mar Mediterrânico.

Segundo: a guerra de 1947-48 deslocou entre 500 mil a 900 mil refugiados palestinos. O historiador Benny Morris, um "expert" do problema, fala em 700 mil.

Independentemente de sabermos quem foi responsável pelo êxodo maciço dos palestinos (opinião pessoal: foram ambos, em graus diferentes), a verdade é que os 700 mil refugiados iniciais são hoje 4 milhões. Aceitar o regresso de milhões de árabes a Israel, essa velha exigência de Arafat (que arruinou os acordos de Camp David, 2000), seria o fim de Israel.

Terceiro: Jerusalém. Na história do conflito, parece ser consensual uma ideia: Jerusalém é de ambos os povos, ou não é de ninguém. Segundo o plano de partição da Comissão Peel, de 1937, Jerusalém estaria sob alçada internacional; igual proposta seria repetida pelo plano de partição das Nações Unidas de 1947. Moral da história: os judeus aceitaram as propostas de 1937 e 1947; os árabes recusaram-nas.

Hoje, a comunidade internacional entende que Jerusalém deve ser uma capital dividida entre judeus e árabes. É difícil convencer as duas partes do negócio, apesar de Ehud Barak, em 2000, ter acatado a proposta. Arafat recusou-a.

Quarto e quinto: falar do Hamas ou do Hezbollah é, na verdade, falar do Irã, a maior ameaça para o Oriente Médio e, sobretudo, para Israel. Mas como lidar com um estado teocrático que, segundo estimativas otimistas, terá a bomba nos próximos 18 meses?

Um ataque militar israelense não está excluído. A comunidade internacional prefere sanções econômicas pesadas ao regime de Teerã. Improvável. A China e a Rússia opõem-se a elas por interesses econômicos. Mas surpreendente é ver as posições da Turquia e do Brasil, dispostas a proteger o regime iraniano. Será que o Brasil acredita que terá um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas comportando-se dessa forma?

Repito: fronteiras, refugiados, Jerusalém, terrorismo e Irã. Falar do conflito palestino-israelense é falar dessas cinco palavras. Elas são, em resumo, os cinco obstáculos para qualquer paz duradoura entre árabes e judeus.

Acontece, porém, que existe uma sexta palavra que pode dar um contributo. Ou, pelo menos, um sentido de perspectiva. Demografia. A existência de dois estados não é apenas um ato de justiça para os palestinos, mesmo sabendo como eles sempre recusaram esse estado nas diferentes propostas de partição ao longo da história.

Dois estados são uma necessidade de sobrevivência para Israel, que não poderá governar uma crescente população árabe dentro das suas portas sem colocar em risco o próprio caráter judaico de Israel. Um estado palestino capaz de cuidar dos palestinos é condição vital para que Israel continue a ser Israel.

É por isso que a persistência do governo israelense em construir habitações na parte oriental de Jerusalém não é apenas um erro diplomático, que ensombrou as relações com os Estados Unidos. É um gesto inútil. Se é do interesse de Israel um estado palestino que cuide dos palestinos, esse estado só existirá pela partilha de Jerusalém.

E não basta que o premiê Binyamin Netanyahu tenha prometido, em 2009, parar qualquer construção israelense na Cisjordânia. Um estado palestino não se fará apenas com um regresso israelense às fronteiras de 1967; parte de Jerusalém também estará no pacote da despedida. Não há ilusões sobre isso.

Barack Obama faz bem em não transigir com a construção de mais habitações judaicas na parte oriental de Jerusalém. Mas Barack Obama faz mal se pensa que a dureza pública da sua retórica contra Israel é o caminho certo para aplacar a fúria dos árabes palestinos (que regressaram à violência); ou, mais perversamente, uma forma indireta de afastar Netanyahu do poder e, à semelhança do que sucedeu em 1999, trazer um "moderado" para o governo.

Os israelenses continuam a apoiar Netanyahu de forma impressionante, o que não admira: depois da experiência traumática da retirada de Gaza, jamais Israel cederá um milímetro de terra sem a certeza absoluta de que o território desocupado não será rampa de lançamento de foguetes.

Obama tem um primeiro-ministro eleito e apoiado pela maioria dos israelenses: deve entender-se com ele. Netanyahu sabe que Jerusalém não será integralmente judaica no futuro: deve refrear a construção em território que, a prazo, não será mais de Israel. E os palestinos?

Confesso que, 62 anos depois da fundação do estado judaico, tenho poucas esperanças sobre o pragmatismo árabe. Mas quando o momento da verdade chegar, convém que não existam desculpas. E que a tragédia dos palestinos seja apenas, como sempre foi, um produto irresponsável das suas irresponsáveis lideranças.

João Pereira Coutinho, 33, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online.

Discurso do Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu (22 de março de 2010) na Conferência da AIPAC

O futuro do Estado judeu nunca pode depender da boa vontade até mesmo do maior dos homens. Israel deve sempre reservar-se o direito de se defender. (22 de março de 2010)

Membros da Administração Obama, Senadores, Membros do Congresso, ministro da Defesa Ehud Barak, ministro Uzi Landau , embaixador Michael Oren, Howard Kohr, Victor David, Lee Rosenberg Líderes da AIPAC, Senhoras e Senhores:

Quando o mundo enfrenta desafios monumentais, sei que Israel e Estados Unidos vão enfrentá-los juntos. Estamos juntos porque somos animados pelos mesmos ideais e inspirados pelo mesmo sonho — o sonho de alcançar a segurança, a prosperidade e a paz.

Este sonho parecia impossível para muitos judeus no século passado.

Neste mês, meu pai comemorou seu centésimo aniversário. Quando ele nasceu, os czares governavam a Rússia, o Império Britânico abarcava todo o mundo e os otomanos governavam o Oriente Médio. Durante sua vida, todos esses impérios desmoronaram, outros floresceram e sucumbiram, e o destino judaico passou do desespero para uma nova esperança — o renascimento do Estado judeu. Pela primeira vez em dois mil anos, o povo judeu soberano podia defender-se contra ataques.

Antes disso, fomos submetidos à incessante barbárie: A carnificina da Idade Média, a expulsão dos judeus da Inglaterra, Espanha e Portugal, os massacres sanguinários dos judeus da Ucrânia, os pogroms na Rússia, que culminaram com o maior dos males — o Holocausto.

A fundação de Israel não interrompeu os ataques contra os judeus. Limitou-se a dar aos judeus o poder deles próprios se defenderem contra aqueles ataques.

Meus amigos,

Quero dizer a vocês sobre o dia em que compreendi a profundidade dessa transformação. Foi o dia em que conheci Shlomit Vilmosh, há mais de 40 anos atrás. Eu servi com seu filho, Haim, na mesma unidade de elite do exército. Durante uma batalha em 1969, Haim foi morto por uma rajada de metralhadora.

Em seu funeral, descobri que Haim nascera pouco depois que sua mãe e seu pai foram libertados dos campos de morte da Europa. Se Haim tivesse nascido dois anos antes aquele corajoso jovem teria sido atirado aos fornos como um milhão de outras crianças judias. Shlomit, a mãe de Haim, me disse então que estava bastante angustiada, mas também muito orgulhosa. Pelo menos, ela disse, meu filho caiu vestindo o uniforme de um soldado judeu defendendo o Estado judeu.

Uma e outra vez, o exército israelense foi obrigado a repelir os ataques de poderosos inimigos determinados a nos destruir. Quando o Egito e a Jordânia reconheceram que não poderiam nos derrotar em batalha, adotaram o caminho da paz.

Ainda há aqueles que continuam a agressão contra o Estado judeu e abertamente pedem a nossa destruição. Eles procuram alcançar este objetivo através do terrorismo, dos ataques de mísseis e, mais recentemente, através do desenvolvimento de armas atômicas.

A reunião do povo judeu em Israel não dissuadiu esses fanáticos. Na verdade, isso só tem aguçado seu apetite. Governantes do Irã dizem que "Israel é país de uma só bomba". O chefe do Hezbolá diz: "Se todos os judeus se reúnem em Israel, isso irá poupar-nos do trabalho de persegui-los em todo o mundo".

Meus amigos,

Estes são fatos desagradáveis, mas são os fatos.

A maior ameaça para qualquer organismo vivo ou nação não é a de reconhecer o perigo a tempo. Setenta e cinco anos atrás, muitos líderes ao redor do mundo puseram suas cabeças na areia. Incontáveis milhões de pessoas morreram na guerra que se seguiu. Finalmente, dois dos maiores líderes da história ajudaram a maré a mudar. Franklin Delano Roosevelt e Winston Churchill ajudaram a salvar o mundo. Mas era tarde demais para salvar seis milhões do meu próprio povo.

O futuro do Estado judeu nunca pode depender da boa vontade até mesmo do maior dos homens. Israel deve sempre reservar-se o direito de se defender.

Hoje, uma ameaça sem precedentes para a humanidade é iminente. Um regime radical iraniano com armas nucleares poderia trazer um fim à era da paz nuclear que o mundo tem desfrutado nos últimos 65 anos. Esse regime poderia fornecer armas nucleares a terroristas e poderia mesmo ser tentado a usá-las. Nosso mundo nunca mais seria o mesmo. A descarada corrida do Irã para desenvolver armas nucleares é, em primeiro lugar, uma ameaça para Israel, mas também é uma grave ameaça para a região e para o mundo.

Israel espera que a comunidade internacional aja rápida e decisivamente para impedir esse perigo. Mas sempre nos reservamos o direito da autodefesa.

Temos também de nos defender contra mentiras e difamações. Ao longo da história, as calúnias contra o povo judeu sempre precederam as agressões físicas contra nós e foram usadas para justificar esses ataques. Os judeus eram chamados de envenenadores da humanidade, fomentadores da instabilidade e fonte de todo o mal sob o sol.

Infelizmente, esses ataques caluniosos contra o povo judeu também não terminaram com a criação de Israel. Por um tempo, o antissemitismo ostensivo foi colocado em xeque pela vergonha e o choque do Holocausto. Mas só por um tempo. Nas últimas décadas, o ódio aos judeus ressurgiu com força crescente, mas com uma distorção insidiosa. Não é apenas dirigida ao povo judeu, mas cada vez mais ao Estado judeu. Na sua forma mais perniciosa, alega que, se Israel não existisse, muitos dos problemas do mundo acabariam.

Meus amigos,

Será que isso significa que Israel está acima de qualquer crítica? Claro que não. Israel, como qualquer democracia, tem suas imperfeições, mas nós nos esforçamos para corrigi-las através do debate aberto e escrutínio. Israel tem tribunais independentes, Estado de Direito, imprensa livre e um vigoroso debate parlamentar — acreditem, é vigoroso.

Eu sei que membros do Congresso se referem um ao outro, como “o meu ilustre colega de Wisconsin ou o senador da Califórnia”. Em Israel, os membros do Knesset não se referem assim aos seus ilustres colegas de Kiryat Shmona ou de Beer Sheva. Dizemos: “Bem, você não quer saber o que falamos”. Em Israel, a autocrítica é um modo de vida, e aceitamos que a crítica faz parte da condução dos assuntos internacionais.

Mas Israel deve ser julgado pelos mesmos padrões aplicados a todas as nações, e as alegações contra Israel devem ser baseados em fatos. A alegação pela qual se tenta descrever os judeus como colonizadores estrangeiros na sua própria pátria é uma das grandes mentiras dos tempos modernos.

Em meu escritório tenho um anel com sinete, que me foi emprestado pelo Departamento de Antiguidades de Israel. O anel foi encontrado junto ao Muro Ocidental, mas remonta há cerca de 2.800 anos atrás, duzentos anos depois que o rei Davi transformou Jerusalém em nossa capital. O anel é um selo de um funcionário judeu, e inscrito em hebraico está o seu nome: Netanyahu. Netanyahu Ben-Yoash. Esse é meu sobrenome. Meu primeiro nome, Benjamin, remonta 1.000 anos antes de Benjamin, filho de Jacob. Um dos irmãos de Benjamin era chamado Shimon, que também acontece de ser o primeiro nome do meu bom amigo, Shimon Peres, o presidente de Israel. Cerca de 4.000 anos atrás, Benjamin, Shimon e seus dez irmãos vagavam pelas montanhas da Judéia.

Senhoras e Senhores,

A ligação entre o povo judeu e a terra de Israel não pode ser negada. A ligação entre o povo judeu e Jerusalém não pode ser negada. O povo judeu esteve construindo Jerusalém 3.000 anos atrás e o povo judeu constrói Jerusalém hoje.

Jerusalém não é um assentamento. É a nossa capital.

Em Jerusalém, meu governo tem mantido as políticas de todos os governos israelenses desde 1967, incluindo aqueles liderados por Golda Meir, Menachem Begin e Yitzhak Rabin. Hoje, quase um quarto de um milhão de judeus, quase a metade da população judaica da cidade, vive em bairros que estão mais além das linhas de 1949. Todos estes bairros estão dentro de uma distância de cinco minutos de carro da Knesset. Eles são parte integrante e inseparável da Jerusalém moderna. Todo mundo sabe que esses bairros serão parte indivisível de Israel em qualquer acordo de paz. Portanto, construir neles, de forma alguma exclui a possibilidade de uma solução de dois Estados.

Nada é mais raro no Oriente Médio do que a tolerância às crenças dos outros. É apenas sob soberania israelense, em Jerusalém, que a liberdade religiosa para todas as crenças tem sido garantida. Enquanto prezamos nossa pátria, também reconhecemos que os palestinos vivem lá igualmente. Nós não queremos dominá-los. Nós não queremos governá-los. Nós os queremos como vizinhos, vivendo em segurança, dignidade e paz. No entanto, Israel é injustamente acusado de não querer fazer a paz com os palestinos. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Meu governo deu provas do seu compromisso com a paz em palavras e atos. Desde o primeiro dia pedimos à Autoridade Palestina que inicie as negociações de paz sem demora. Eu faço esse mesmo pedido hoje. Presidente Abbas, venha negociar a paz. Líderes que realmente querem a paz devem sentar-se frente a frente.

Naturalmente que os Estados Unidos podem ajudar as partes a resolverem seus problemas, mas não podem resolver os problemas para as partes. A paz não pode ser imposta de fora. Ela só pode vir através de negociações diretas nas quais estamos desenvolvendo confiança mútua.

No ano passado, falei de uma visão de paz na qual um Estado palestino desmilitarizado reconhece o Estado judeu. Assim como os palestinos esperam que Israel reconheça um Estado palestino, nós esperamos que os palestinos reconhecessem o Estado judeu.

Meu governo retirou centenas de bloqueios, barreiras e postos para facilitar o movimento dos palestinos. Como resultado, ajudamos a impulsionar um boom fantástico na economia palestina (cafeterias, restaurantes, empresas, e até mesmo cinemas multiplex). E anunciamos uma moratória sem precedentes nas novas construções israelenses na Judéia e na Samária.

Isto é o que meu governo fez pela paz. O que tem feito a Autoridade Palestina pela paz? Bem, eles só têm colocado pré-condições para as negociações de paz, movem uma implacável campanha internacional para minar a legitimidade de Israel, e promoveram o notório Relatório Goldstone, que falsamente acusa Israel de crimes de guerra. Na verdade, eles estão fazendo bem agora no âmbito da ONU o que grotescamente fizeram no Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

Quero agradecer ao presidente Obama e ao Congresso dos Estados Unidos por seus esforços em frustrar essa calúnia, e peço pelo seu contínuo apoio.

De forma lamentável, a Autoridade Palestina também continua o incitamento contra Israel. Alguns dias atrás, uma praça pública nas imediações de Ramallah recebeu o nome de uma terrorista que matou 37 civis israelenses, incluindo 13 crianças. A Autoridade Palestina nada fez para impedir isso.

Senhoras e Senhores,

A paz exige reciprocidade. Não pode ser uma rua de mão única, na qual só Israel faz concessões. Israel está pronto a assumir compromissos necessários para a paz. Mas esperamos que os palestinos comprometam-se também. Mas uma coisa que nunca vai se comprometer é a nossa segurança.

É difícil explicar a situação da segurança de Israel para alguém que vive em um país com 500 vezes o tamanho de Israel. Mas imaginem os Estados Unidos inteiros comprimidos no tamanho de Nova Jersey. Em seguida, ponha na fronteira norte de Nova Jersey um representante terrorista do Irã chamado Hezbolá, que dispara 6.000 foguetes contra esse pequeno Estado. Imaginem então que este agente terrorista acumulou mais de 60.000 mísseis para lançar sobre você. Espere. Eu não terminei ainda. Agora, imaginem na fronteira sul de Nova Jersey outro agente terrorista iraniano chamado Hamas. Ele também lançou 6.000 foguetes contra o seu território, enquanto contrabandeia armas ainda mais letais ao seu território. Vocês não acham que se sentiriam um pouco mais vulneráv eis? Vocês acham que poderiam esperar alguma compreensão da comunidade internacional quando se defenderem?

Um acordo de paz com os palestinos devem incluir medidas de segurança eficazes na região. Israel precisa se certificar de que o que aconteceu no Líbano e em Gaza não volte a acontecer na Cisjordânia.

O principal problema da segurança de Israel com o Líbano não é sua fronteira com o Líbano. É a fronteira do Líbano com a Síria, através da qual o Irã e a Síria contrabandeiam dezenas de milhares de armas ao Hezbolá.

O principal problema da segurança de Israel com Gaza não é sua fronteira com Gaza. É a fronteira de Gaza com o Egito, na qual cerca de 1.000 túneis foram cavados para contrabandear armas. A experiência tem demonstrado que apenas a presença israelense no local pode impedir o contrabando de armas. É por isso que um acordo de paz com os palestinos deve incluir uma presença israelense na fronteira oriental de um futuro Estado palestino.

Se a paz com os palestinos comprovar sua durabilidade ao longo do tempo, poderemos rever os acordos de segurança. Estamos dispostos a assumir riscos para a paz, mas não seremos irresponsáveis com a vida da nossa população e a vida do primeiro e único Estado judeu.

Senhoras e Senhores,

O povo de Israel quer um futuro no qual nossos filhos já não experimentem os horrores da guerra. Queremos um futuro no qual Israel realize todo o seu potencial como um centro global de tecnologia, ancorado nos seus valores e viva em paz com todos os seus vizinhos.

Eu pressinto um Israel que pode dedicar ainda mais os seus talentos criativos e científicos para ajudar a resolver alguns dos grandes desafios da atualidade, antes de tudo, encontrar um substituto limpo e acessível (Nota do tradutor: mais barato) para a gasolina. E quando encontrarmos essa alternativa, vamos parar de transferir centenas de bilhões de dólares para regimes radicais que apóiam o terror.

Estou confiante que na perseguição destes objetivos, temos a amizade duradoura dos Estados Unidos da América, a maior nação da terra. O povo americano tem sempre demonstrado a sua coragem, sua generosidade e decência. De um presidente para o seguinte, de um Congresso para o subsequente, o compromisso dos EUA com a segurança de Israel foi inabalável. No ano passado, o presidente Obama e o Congresso norte-americano deram significado a essa promessa, fornecendo assistência militar a Israel, permitindo exercícios militares conjuntos e trabalhando juntos na defesa antimísseis.

Assim também Israel tem sido um aliado leal e firme dos Estados Unidos. Como disse o vice-presidente Biden, a América não tem melhor amigo na comunidade das nações que Israel. Durante décadas, Israel serviu como um baluarte contra o expansionismo soviético. Hoje, está ajudando a América a conter a onda militante do islã. Israel compartilha com os Estados Unidos tudo o que sabe sobre como combater um novo tipo de inimigo. Trocamos informações de inteligência. Cooperamos em inúmeros outros campos dos quais eu não estou liberado a divulgar. Esta cooperação é importante para Israel e está ajudando a salvar vidas americanas.

Nossos soldados e seus soldados lutam contra inimigos fanáticos que detestam os nossos valores comuns. Aos olhos desses fanáticos, somos vocês e vocês estão conosco. Para eles, a única diferença é que vocês são grandes e nós somos pequenos. Vocês são o Grande Satã e nós somos o Pequeno Satã. Esse ódio fanático pela civilização ocidental antecede o estabelecimento de Israel por mais de mil anos.

Os militantes islâmicos não odeiam o Ocidente por causa de Israel. Eles odeiam Israel por causa do Ocidente — porque consideram Israel como um posto avançado da liberdade e da democracia, que os impede de ultrapassarem o Oriente Médio. É por isso que quando Israel está contra seus inimigos, está contra os inimigos da América.

O presidente Harry Truman, o primeiro líder a reconhecer Israel, disse: "Eu tenho fé em Israel e eu acredito que ele tenha um futuro glorioso — não apenas como uma outra nação soberana, mas como uma personificação dos grandes ideais da nossa civilização".

Meus Amigos,

Estamos reunidos aqui hoje porque acreditamos nos ideais comuns. E por causa desses ideais, estou certo de que Israel e os EUA estarão sempre juntos.

(Traduzido por Szyja Lorber- Paraná – BR)

segunda-feira, 15 de março de 2010

No final de semana dos dias 11 a 14 de março foi realizado o encontro nacional dos coordenadores da Hagshamá Brasil. As atividades tiveram como foco dilemas encontrados em nossas comunidades e troca de idéias sobre atividades e experiências.
As presenças de Sergio Niskier que falou sobre liderança jovem na comunidade, José Roitberg falando sobre grupos anti Israel e de Gael Grunwald, prsidente mundial da Hagshamá, abrilhantaram ainda mais o evento.
Estiveram presentes representantes de Salvador, Belem, Porto Alegre, Campinas, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasilia.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Propaganda nova do Itaú

Para que não viu, essa é propaganda atual do Banco Itaú. Achei muito bacana e a temática não poderia ser melhor.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Chanukia é desmontada na Moldávia

A Liga Anti-Difamação condenou a remoção de um Hannukiah na Moldávia aparentemente liderada por um sacerdote cristão ortodoxo.

Autoridades na capital da Moldávia, disseram que o candelabro foi recuperado, reinstalado e agora está sob guarda policial.
O sacerdote ortodoxo, identificado pela mídia moldava como Fr. Anatoliy Chirbik, levando a Menorá até a estátua de de Stephan na praça e dizendo: "Nós somos um país ortodoxo. Stephan, o Grande, defendeu o nosso e agora eles vêm e colocam sua menorah aqui. Esta é a anarquia".

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Chanuka

Bem, para todos que quiserem temos um material bom no site sobre a festa de chanuka.
www.hagshama.com.br
Chanuka Sameach para todos!!!

domingo, 22 de novembro de 2009

Passeata contra Ahmadinejad no Rio de Janeiro

Mais de 3000 pessoas estiveram presentes na Praia de Ipanema para a passeata da diversidade contra Ahmadinejad. A manifestação foi uma organização em conjunta da Hagshama Brasil, Hillel Rio e outras entidades judaicas e não judaicas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Grupo Nachal de Belém com apoio da Hasghamá realiza festival de massas

O grupo Nachal de Belém com apoio da Hagshamá realizará um super jantar festivo de sucót onde serão explicados todos os preceitos ligado a esta festividade além da exibição do premiado filme israelense Ushpizin (Visitantes) que será seguido por um debate dirigido pelo Shaliach Matan
O envontro será na sinagoga Eshel Avraham em Campos Salesno dia 07 de outubro às 20:30

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Antissemitismo na Rádio de Honduras

Discurso mega perigoso, antissemita e difamador realizado na Rádio Hondurenha

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Iran - O caminhão, a moto, a grua e o botão.

Esse vídeo faz uma propaganda inteligente sobre a verdadeira face do Iran que vale ser vista

terça-feira, 15 de setembro de 2009

POA - Ofakim Tamar Hagshamá realiza Rosh Hashanight


Laila Le Israel em Porto Alegre

Aconteceu no dia de agosto o IALA LE ISRAEL.
Reuniram-se na Hebraica Bom Fim mais de 100 jovens entre 18 e 30 anos da nossa comunidade na atividade realizada pelos departamentos de aliá e de educação (Eitan) da Agência Judaica, pelo Ofakim – Tamar Hagshama, Hebraica – RS e pelo Projeto MASA, com apoio do Fundo Comunitário, das Na’amat Pioneiras e da Wizo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Projeto Sababa começa com noite de grande evento para jovens

A Hagshamá Brasil esteve presente no lançamento do Projeto Sababa no Rio de Janeiro, onde um grupo de jovens se reuniu para oferecer a juventude carioca judaismo e cursos variados que vão desde mergulho e krav magá até aula de hebraico.
A Hagshamá prestou total apoio a iniciativa tanto na divulgação como na organização do evento além do suporte financeiro ao evento.
A atração principal ficou por conta do grupo de roteiristas do Casseta e Planeta e criadores do programa Do Balacobaco que realizaram um divertido quiz além de proporcionarem jogos aos convidados. Todos que participaram dos grupos vencedores e das brincadeiras ganharam brindes como jóias, roupas, sapatos, óculos e muito mais.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Projeto Sababa tem apoio da Hagshamá

Um grupo de jovens se reuniu para realizar programações para jovens universitários do Rio de Janeiro. Esse é o PROJETO SABABA que conta com apoio da Hagshamá Brasil.
O grande evento de lançamento será dia 08 de setembro às 19h no Pub Bukowsky em Botafogo.
Esperamos vocês lá!!!!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Matéria sobre a Hagshamá no informe Nosso Jornal Rio

Organização Sionista Mundial em nova fase
Por Jakob Zajdhaft

Da esquerda para a direita: Andy Faur ( Diretor para a América Latina), Sergio Rosenboim e Michel Epsztajn (webmaster do site Brasil).

Criado em 1998 Hagshamá é um departamento da Organização Sionista Mundial ( OSM ) com sede em Jerusalém, e tem como pilares de atuação , judaísmo , sionismo, lideranças e esclarecimentos. Seu projeto abrange os jovens na faixa etária 18/30 de idade.
Sergio Rosenboim, diretor da Hagshamá-Brasil ( 12 estados ) em entrevista exclusiva, nos fala do encontro com lideranças do órgão em Israel e seus novos projetos.

NJR.Como foi o contato com a diretoria da Hagshamá para a América Latina?
- A reunião ocorreu na sala Chaim Weizmann de OSM, em Jerusalém, quando apresentei o relatório das atividades no Brasil, visando maior desenvolvimento e novas programações, estando presente Andy Faur, diretor para a América Latina.

NJR.E a repercussão do relatório?
- Foi do inteiro agrado, haja vista , declaração do importante dirigente Gael Grunwald, de que o trabalho desenvolvido com os jovens no Brasil, foi considerado como destaque das demais sedes no exterior. Apoio educacional e formas de obtenção de recursos internos e externos e a nova estrutura do departamento, foram temas abordados.

NJR.Qual a nova estrutura deste departamento da OSM?
- Para 2010, a Hagshamá terá um função específica central, passando a concentrar , organizar e dirigir , praticamente , todas as atividades da OSM para a diáspora. E isto nos leva ao maior fortalecimento dos ideais sionistas, principalmente entre os jovens.

NJR.Cite projetos culturais
- Dentre outros, o intercâmbio já acertado com os Centros Educacionais de diversos Museus de Israel ( Yad Vashem e Beit Hatfusot) para grupos de lideranças jovens frequentarem cursos de capacitação num período de 15 dias , de acordo com o foco educacional de cada Museu.

NJR.A viagem foi só de trabalho?
- Ninguém é de ferro.Convidado , assisti o Festival de Dança Karmiel, ao norte de Israel e confesso meu entusiasmo pela dança na qualidade de ex-integrante e dirigente dos Festivais “ Hava Netze Bemachol” da Hebraica-Rio. Daí acertei com o renomado coreógrafo Avi Levy, a vinda do “Grupo de Dança “Avivim Ashdod”, profissionais de dança israelense e com total apoio da Prefeitura da cidade de Ashdod para apresentação no Festival do clube em outubro próximo.